Hamilton e seus Quatérnions, Maxwell e a Análise Vetorial

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E aí, pessoal. Tudo bem? (;      Nessa postagem eu trago um tema super interessante relacionado a um dos capítulos mais importantes da história da Física e do desenvolvimento da Matemática. De certeza, se você é um(a) estudante de Física ou Matemática, entusiasta do assunto ou mesmo curioso(a) sobre, os nomes Hamilton e Maxwell não são estranhos. Certo? Mas, e ... Quatérnions   ? O que são e o que tem a ver com Análise Vetorial?       Talvez você esteja familiarizado com o assunto, embora na minha pequena experiência em falar sobre isso com colegas e amigos eu constate que, na grande maioria das vezes, é desconhecida a relação. Decidi reescrever esse pequeno texto que eu comecei há tempos (nos longos períodos de procrastinação) pesquisando bem informalmente como que o cálculo de quatérnions (assunto de Matemática) acabou se transformando no que estudamos hoje em análise vetorial (onde a Física se esbanja).      Ao final do...

Uma possível dedução da equação de Schrodinger.



Uma dedução da equação de Schrodinger:

Para realizar essa dedução, temos que fazer uma apanhado do constructo da física moderna do início até a metade do século século XX. 

De maneira bem simplificada, Max Planck, em 1900, para explicar a radiação de corpo negro, concebeu o seguinte postulado:

"Qualquer ente físico com um grau de liberdade cuja "coordenada" é uma função senoidal do tempo (isto é, executa oscilações harmônicas simples) pode possuir apenas energias totais que satisfaçam a relação $E=nh\nu $, onde $\nu$ é a frequência do oscilação $h$ uma constante universal e $n$ só pode assumir valores inteiros."


Dessa forma, Planck postulou que a energia seria quantizada, e que obedece a seguinte fórmula matemática: 

\begin{equation}
E=h\nu
\end{equation}

Mas se lembrarmos da ondulatória:

\begin{equation}
\nu = \frac{\omega}{2\pi} 
\end{equation}

Daí, substituindo a equação (2) em (1), e lembrando que $\hbar=\frac{h}{2 \pi}$, podemos escrever a equação (1) da seguinte maneira:

\begin{equation}
E = \hbar \omega   
\end{equation}

Dessa forma:

\begin{equation}
 \omega = \frac{E}{\hbar}
\end{equation}

Já em 1905, Einstein para explicar o fenômeno do efeito fotoelétrico, propõe uma extensão mais ousada da ideia de Planck e propõe que a  luz, que até então era considerada de natureza ondulatória, seria na verdade formada por pequenas partículas, chamados de "quantum de luz", ou "fótons". Onde essa energia desses fótons, é dada por:

\begin{equation}
\omega = \frac{E}{\hbar}
\end{equation}

Da Teoria da relatividade, podemos dizer que se tivermos uma partícula sem massa, o momento dela pode  ser escrito como:

\begin{equation}
P=\frac{E}{c}  
\end{equation}

Se mais uma vez lembrarmos da teoria ondulatória, sabemos que a velocidade da luz, c, pode ser escrito em termos da frequência de de seu comprimento de onda, ou seja:

\begin{equation}
c= \lambda \nu  
\end{equation}

Substituindo a equação (7) na equação (6), obtemos:

\begin{equation}

P = \frac{h \nu}{c} \Rightarrow P=\frac{h \nu}{\lambda \nu} \Rightarrow P=\frac{h \nu}{\lambda \nu}   \Rightarrow P= \frac{h}{\lambda}

\end{equation}

Mas como $\lambda = k/2\pi$, podemos escrever a equação acima da seguinte maneira:

\begin{equation}
P=\frac{h}{\frac{2 \pi}{k}}\Rightarrow P = \hbar k
\end{equation}

Já em 1923, de Broglie, em sua tese de doutorado, explicou como a matéria tem sua natureza dual, logo ela é onda ($\lambda$) e partícula $(P)$. Dessa forma, as expressões anteriores continuam válidas.

Já em 1926, Erwin Schrodinger, explica que de fato não entende a teoria de De broglie. Nessa época Schrodinger é convidado a ministrar um colóquio sobre essa teoria. Nessa preparaçao desse colóquio de física, Shcrodinger formulou a famosa Teoria Ondulatória.

Na teoria ondulatória, uma onda pode ser descrita como:

\begin{equation}
\Psi(x,t)=A e^{ikx} e^{-iwt}   
\end{equation}

Lembrando da equação (4), podemos escrever a equação (10), da seguinte maneira:

\begin{equation}
\Psi(x,t) = A e^{ikx} e^{-i\frac{E}{\hbar}t}   
\end{equation}

Dessa forma, a primeira derivada em função do tempo, encontraremos:

\begin{equation}
    \frac{\partial \Psi(x,t)}{\partial t}=\left ( Ae^{ikx} \right )\left ( -i\frac{E}{\hbar}e^{-i\frac{E}{\hbar}} \right )
\end{equation}

Substituindo a equação (11) na (12), podemos escrever:

\begin{equation}
\frac{\partial \Psi(x,t)}{\partial t} = - i \hbar E \Psi(x,t)
\end{equation}

Multiplicando a equação (13) por $i\hbar$, e lembrando que $i^{2}= -1$, a equação (13), se torna:

\begin{equation}
i\hbar \frac{\partial \Psi(x,t)}{\partial t} = E \Psi(x,t)
\end{equation}

Agora, tomando a derivada segunda em relação a posição, podemos escrever:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2}=-Ak^{2}e^{ikx}e^{i\frac{E}{\hbar}t} \Rightarrow \frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} = - k^{2}\Psi(x,t)     
\end{equation*}

Daí, podemos escrever:

\begin{equation}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} +  k^{2}\Psi(x,t)=0     
\end{equation}

Agora vamos ilustrar os dois casos. 

Partícula livre.

Tínhamos que:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} +  k^{2}\Psi(x,t)=0     
\end{equation*}

Mas se lembrarmos, foi dito que:

\begin{equation}
k² = \frac{P^{2}}{\hbar^{2}}   
\end{equation}

Substituindo na equação acima, temos:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} +  \left (\frac{P^{2}}{\hbar^{2}} \right )\Psi(x,t)=0    
\end{equation*}

Multiplicando o lado esquerdo da equação por $2m/2m$, temos:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} +  \frac{2m}{\hbar^{2}}\left (\frac{P^{2}}{2m} \right )\Psi(x,t)=0    
\end{equation*}

Se lembrarmos da mecânica clássica, $E={P^{2}/{2m}}$. Daí:

\begin{equation}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} +  \frac{2m}{\hbar^{2}}(E)\Psi(x,t)=0    
\end{equation}

Dessa forma:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} =-  \frac{2m}{\hbar^{2}}(E)\Psi(x,t)   
\end{equation*}

Isolando $E\Psi$, podemos escrever:  

\begin{equation}
-\frac{\hbar}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} =E\Psi(x,t)   
\end{equation}

Dessa forma, igualando a equação (18) e a equação (14), temos:

\begin{equation}
i\hbar \frac{\partial \Psi(x,t)}{\partial t} = -\frac{\hbar}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2}
\end{equation}

Partícula com um potencial V
 Há uma relação entre a ótica e a mecânica, formulado por Hamilton, que nos diz que a trajetória de uma partícula no espaço sobre a influência de um potencial $V$ é análoga a trajetória de um raio de luz com índice de refração $n$. Logo, no caso da mecânica, o equivalente do índice de refração, é:

\begin{equation}
n=\sqrt{1-\frac{V}{E}}   
\end{equation}

Logo, se lembrarmos mais uma vez da ondulatória, o número de onda em um meio diferente do vácuo (como por exemplo em um vidro), pode ser escrito como:

\begin{equation}
k = n k_{0}   
\end{equation}

onde $k_{0}$ é o número de onda no vácuo. Logo:

\begin{equation}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + n^{2}k_{0}^{2}\Psi(x,t)=0    
\end{equation}

Perceba que o termo $k$, descrito na equação (15) foi escrito como o termo da equação (21). Logo, podemos escrever:

\begin{equation}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + \left (1-\frac{V}{E}  \right )k_{0}^{2}\Psi(x,t)=0    
\end{equation}

Lembrando que $k=P/\hbar$. Dessa forma, multiplicando toda a equação por $2m/2m$, temos:

\begin{equation}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + \left (1-\frac{V}{E}  \right )\left ( \frac{2m}{2m} \right )\left (\frac{P^{2}}{\hbar^{2}} \right )\Psi(x,t)=0   \end{equation}

Logo, reorganizando e lembrando que $E=P^{2}/\hbar^{2}$, podemos escrever:

\begin{equation*}
\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + \left (1-\frac{V}{E}  \right )\left (\frac{2mE}{\hbar^{2}} \right )\Psi(x,t)=0    
\end{equation*}

Daí, multiplicando por $-\hbar^{2}/2m$, depois fazendo a distributiva, temos:

\begin{equation*}
-\frac{\hbar^{2}}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + E\Psi(x,t)-\frac{V}{{E}}{E}\Psi(x,t) = 0 \end{equation*}

Logo:

\begin{equation}
-\frac{\hbar^{2}}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + E\Psi(x,t)-V\Psi(x,t) = 0  \end{equation}

Isolando $E\Psi(x,t)$, temos:

\begin{equation}
-\frac{\hbar^{2}}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + V\Psi(x,t)  = E \Psi(x,t)
\end{equation}

Dessa forma, igualando a equação (26) e a equação (14), podemos escrever:

\begin{equation}
i\hbar \frac{\partial \Psi(x,t)}{\partial t} =  -\frac{\hbar^{2}}{2m}\frac{\partial^2 \Psi(x,t)}{\partial x^2} + V(x,t)\Psi(x,t)   
\end{equation}

Que é a  famosa equação de Schrodinger. 


Logo, mostramos uma maneira alternativa de demonstrar a equação de Schrodinger a partir de descobertas anteriores. 

É importante destacar que essas anotações foram feitas a partir das aulas do YouTube do professor Juan Martin Otalora  Goicoche. Você podem assistir essas vídeoaulas clicando no link encurtador.com.br/vEFOP.


Até mais. :) 

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